SAIR DA ESCOLA FOI
O PRIMEIRO PASSO.
O PRIMEIRO PASSO.
Antes da chegada da Lei que proíbe o uso de celulares nas escolas públicas e privadas de todo o país, nosso projeto se chamava "Descola o Celular da Escola".
Agora, passamos para a fase 2 do projeto:
DESCOLA O CELULAR DA CACHOLA.
Acreditamos que cada indivíduo é um agente de transformação social. Queremos contribuir para a discussão sobre a relação estreita que existe entre o declínio da saúde mental e o uso de smartphones e redes sociais, incentivando o diálogo aberto com crianças e adolescentes sobre a importância da vida sem a onipresença desses dispositivos.
Baudrillard já previa a relação estreita entre viralidade e virtualidade.
É por isso que os desafios, agora nesta fase 2 do projeto, são ainda maiores. Controlar o que foi pensado para nos controlar é como tentar impedir a proliferação de um vírus com efeitos pandêmicos. Somos testemunhas de um tempo em que estar conectado deixou de ser uma escolha para se tornar condição existencial permanente. O discurso da inevitabilidade propiciou o surgimento de um tipo de poder nunca antes visto, que ameaça nossas bases democráticas e coloca a dependência digital no centro desse novo sistema. Há muitos neologismos e ensaios para tentar explicar o que anda acontecendo: Shoshana Zuboff nos alerta para o que chamou de "Capitalismo de Vigilância"; Yanis Varoufakis defende que voltamos à era feudal, uma espécie de "tecnofeudalismo"; Byung-Chul Han nomeia a atual circunstância de vida como "Infocracia". Esses e outros autores trazem muitas análises em comum. Todos concordam que nossa privacidade já não é um direito, e sim matéria-prima para empresas de tecnologia, as chamadas big techs, negociarem no mercado de predições de comportamento futuro.
Afinal, estaríamos em um beco sem saída? Como cuidar de crianças e adolescentes nesse contexto social, se nem mesmo nós, adultos, estamos conseguindo nos proteger?
Por muito tempo se pensou que os smartphones seriam poderosos aliados na educação. Adultos fizeram a escolha de inserir no ambiente escolar dispositivos sobre os quais tínhamos pouco conhecimento. Estudos recentes têm comprovado que, na verdade, smartphones e plataformas são vilões do aprendizado. Na Europa, alguns países já anunciaram a volta para o papel e para a caneta.
Com adultos, algo começa. Com adultos, algo termina.
Da mesma maneira, por muito tempo se pensou que seria possível fazer o bom uso de celulares e redes sociais. A pressão social atingiu a infância e a adolescência, cavando uma realidade em que é praticamente impossível pensar uma existência fora das telas.
Se não faço parte, existo?
Na infância, a queda na interação com os colegas, a substituição do livre brincar por comentários, curtidas e grupos em redes sociais, o crescente (e insistente) cyberbullying, mostra quão difícil é fazer bom uso de algo que foi construído para nos fazer permanecer ali o maior tempo possível. Meninas recebem conteúdos de skincare, disforias alimentares, automutilações, suicídio. Meninos recebem conteúdos de misoginia, machosfera, redpill, pornografia. Há diversos distúrbios de saúde associados ao uso precoce e excessivo de celulares e redes sociais: déficit de atenção é o mais fácil de se observar, pela dificuldade de concentração e de fixação do conteúdo em sala de aula. Outros, mais silenciosos, incluem perdas cognitivas e a formação silenciosa de valores sobre os quais nenhum pai tem controle. Os riscos são inúmeros e vão desde o consumo de conteúdos inadequados, discursos de ódio, passando pelo aumento do cyberbullying e maior vulnerabilidade a predadores digitais.
Adultos também estão sujeitos aos efeitos negativos do uso de dispositivos e plataformas. Para além do componente da saúde mental, pesquisas indicam que a maior parte dos adultos sente que "está difícil pensar".
Se você também sente que tem algo de muito errado acontecendo, vamos juntos alterar o estado das coisas. Sabemos que não é possível resolver problemas complexos com soluções simples. Mas é possível contribuir com reflexões e sugestões de leituras que ajudem a pensar criticamente o panorama social de hipnose coletiva em que estamos mergulhados.
A verdade é que, se queremos proteger a infância e a adolescência, precisamos repensar nossa vida adulta.